sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Resumo Informativo: Walter Benjamin.

In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura - Obras Escolhidas v.I. 5.ed. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. Pref. Jeanne Marie Ganebin, São Paulo: Brasiliense, 1993. pp.114-119.

As experiências nos foram transmitidas de modo benevolente ou ameaçador, á medida que crescíamos. Antes ela sempre fora comunicada aos jovens de forma concisa, com a autoridade da velhice de forma prolixa. Mas hoje está claro que as ações da experiência estão em baixa, porém não é tão estranho como parece, pois desde antes as pessoas estava mais pobres em experiências comunicáveis, e não mais ricos, com isso, surgiu uma nova forma de miséria com esse monstruoso desenvolvimento da técnica, sobrepondo-se ao homem, a angustiante riqueza de idéias que se difundiu entre, ou melhor, sobre as pessoas, porque não é uma renovação autêntica que está em jogo, e sim uma galvanização. Então temos a certeza que nossa pobreza de experiências é apenas uma parte da grande pobreza que recebeu novamente um rosto. Temos a horrível mixórdia de estilos e concepções do mundo do século passado e que essa pobreza de experiência não é mais privada, mas de toda a humanidade, assim surge uma nova barbárie. Algumas criaturas falam uma língua inteiramente nova que é a dimensão arbitrária e construtiva, em contraste com a dimensão orgânica, pois tal linguagem recusa qualquer semelhança com o humano, sua mobilização a serviço da luta ou do trabalho e, em todo caso, a serviço da transformação da realidade, e não da sua descrição. Essa atitude é a oposta da que é determinada pelo hábito, o "interior" obriga o habitante a adquirir o máximo possível de hábitos, que se ajustam melhor a esse interior que a ele próprio. Os homens aspiram a libertar-se de toda experiência e aspiram a um mundo em que possam ostentar tão pura e tão claramente sua pobreza externa e interna, mas podemos afirmar o oposto. As pessoas vêem o objetivo da vida apenas como o mais remoto ponto de fuga numa interminável perspectiva de meios, surge uma existência que se basta a si mesma, em cada episódio, do modo mais simples e mais cômodo. Portanto a tenacidade é hoje privilégio de um pequeno grupo dos poderosos, mas não no bom sentido. Porém os outros precisam instalar-se, de novo e com poucos meios e que possa o indivíduo dar um pouco de humanidade àquela massa, que um dia talvez retribua com juros e com os juros dos juros.

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